Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil
Identificação
- Id
- 25000.025666/2018-39
- Nup
- 25000.025666/2018-39
Instituição
- Instituicao Proponente
- Hospital do Coração
- Sigla
- Hcor
Projeto
- Titulo Do Projeto
- Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil
- Objetivo Geral Do Projeto
- Reduzir as infecções de corrente sanguínea, trato urinário relacionados a cateteres e pneumonia associada à ventilação mecânica em 50% em UTIs selecionadas até dezembro de 2020.
- Objetivos Especificos Do Projeto
- Desenvolver capacidades das equipes e colaborar na implantação dos pacotes de mudanças relacionadas à prevenção de infecções; Aplicar o modelo para cálculo de análise de custo incremental nas infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS).
- Justificativa E Aplicabilidade Do Projeto
-
Segurança do Paciente em Geral
A prestação do cuidado por profissionais da área da saúde pode ocasionar danos aos pacientes, os quais, na maioria
das vezes não são intencionais, porém acarretam prejuízos físicos, emocionais, sociais e até fatais.
Estudos na Inglaterra mostram que 1 em cada 10 pacientes pode ter um evento adverso relacionado aos cuidados que
recebe em hospitais, entretanto, metade destes eventos podem ser evitáveis. O Institute of Medicine (IOM), em 1999,
já estimava que entre 44.000 a 98.000 mortes ocorriam por ano nos Estados Unidos devido a erros na assistência ao
paciente.
Segundo a OMS, as infecções hospitalares afetam 14 em cada 100 pacientes admitidos nos hospitais. De cada 100
pacientes hospitalizados em um determinado momento, 10 pacientes adquirirão infecções associadas a cuidados de
saúde em países em desenvolvimento. Centenas de milhões de pacientes são afetados em todo o mundo a cada ano.
Medidas de prevenção e controle de infecção simples e de baixo custo, como a higiene das mãos apropriada, podem
reduzir a frequência em mais de 50%.
Fatos como estes levaram a uma mudança de cultura das instituições de saúde que passaram também a considerar a
Segurança do Paciente como uma de suas pautas principais. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo,
lançou em 2004 a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente e, posteriormente, estabeleceu as suas seis Metas
Internacionais de Segurança do Paciente. Outras instituições como o Institute of Healthcare Improvement (IHI), dos
EUA, e o National Health Services (NHS), da Inglaterra, também dedicaram maior atenção aos erros causados na
assistência do paciente. Instituições de referência em saúde criaram Institutos dedicados ao estudo e promoção da
segurança do paciente, como o Instituto Armstrong do Hospital Johns Hopkins.
Recentemente, em um artigo de alto impacto, intitulado “Erros na Assistência - a terceira causa de morte nos Estados
Unidos”, de Martin A Makary, da Universidade Johns Hopkins, mostrou-se que 251.000 óbitos anualmente nos EUA
são decorrentes de alguma falha no processo médico-assistencial (muito acima do que se estimava anteriormente),
sendo apenas ultrapassado por câncer e doenças cardiovasculares.
No Brasil, o cenário da ocorrência de eventos adversos não é diferente dos demais países. Em hospitais brasileiros,
acredita-se que cerca de 67% dos danos que ocorrem podem ser evitáveis.
Neste contexto, o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) por meio da
Portaria MS/GM nº 529 de 1º de abril de 2013, que tem como objetivo geral contribuir para qualificação do cuidado
em saúde em todos os estabelecimentos de saúde do território nacional, públicos e privados.
Segurança do Paciente e Infecções Relacionadas à Assistência
As infecções hospitalares atualmente podem ser reconhecidas como possíveis falhas na assistência à saúde, uma vez
que existe conhecimento das medidas de transmissão e prevenção suficientes e amplamente divulgadas
mundialmente.
No Brasil, a partir da Política Nacional de Segurança do Paciente, e da RDC nº 36 de 25 de julho de 2013, que instituiu
ações para a segurança do paciente e a criação do “Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde”, ficou mais
claro o conceito de que infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) é um evento adverso durante a assistência e
seu controle deve fazer parte da busca pela excelência no atendimento. (2)
Dentre as IRAS, as principais, com alto impacto em mortalidade, morbidade e custos hospitalares, são: infecção
primária da corrente sanguínea associada a um cateter venoso central (IPCS), pneumonia associada
a ventilação mecânica (PAV) e infecção do trato urinário associada a cateter vesical (ITU-AC).
A infecção da corrente sanguínea (ICS) é uma das principais complicações infecciosas entre os pacientes
submetidos à terapia intravenosa, especialmente, aqueles com cateter venoso central (CVC). Aproximadamente 90%
das ICS são decorrentes de uso de CVC (3). Nos Estados Unidos, estima-se que ocorram cerca de 250.000 infecções de
Infecções Primárias de corrente Sanguínea (IPCS) relacionada a cateter por ano, com mortalidade atribuível de
12,5% a 25% e custo total que pode chegar a U$2.3 bilhões. (4) Entretanto, é possível prevenir cerca de 65 a 70% dos
casos de IPCS, estabelecendo medidas adequadas de prevenção e controle relacionadas com a inserção e manutenção
do dispositivo vascular, também chamadas de pacotes de prevenção.
A pneumonia associada à assistência à saúde corresponde à segunda infecção mais comum adquirida nos hospitais
(15 a 20% do total), prolongando a permanência hospitalar entre 4 a 10 dias. Nos Estados Unidos, esta situação gera
custos adicionais de cerca de US$1.2 bilhões/ano, além de estar relacionada com a maior mortalidade atribuída dentre
as infecções relacionadas à assistência à saúde (7,3 – 30,3%). Além disso, cerca de 50% dos antimicrobianos prescritos
em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são destinados para o tratamento de pneumonias e, portanto, sua prevenção
e controle são ferramentas importantes para o uso racional de antibióticos (5). Adicionalmente, sabe-se que a
ventilação mecânica eleva o risco de desenvolvimento de pneumonia, com risco adicional de 1 a 3% por dia (6,7).
A infecção do trato urinário é considerada a principal infecção relacionada à assistência à saúde, responsável por
40% do total das infecções, sendo que, destas, 20 a 25% ocorrrem em UTIs. Nos Estados Unidos, estima-se que a
infecção do trato urinário leve ao aumento da permanência hospitalar entre 2 a 4 dias, com custo total de U$ 500
milhões/ano e a mortalidade de até 13%. (8)
Assim, combater IPCS, PAV e ITU-AC é uma estratégia prioritária, uma vez que são altamente frequentes, possuem
grande morbi-mortalidade e os custos decorrentes são elevados. Inúmeros países têm estabelecido como prioritário o
combate a estas infecções, envolvendo equipes médico-assistenciais, gestores do sistema de saúde e a própria
sociedade. Assim, para o Brasil, é também mandatório que equipes de saúde sejam capacitadas para implementar
pacotes de mudanças estabelecidas nas melhores evidências científicas, com o objetivo de melhorar os índices de
infecção e, consequentemente, reduzir desperdícios financeiros.
De acordo com as diretrizes organizadas pelo Conselho Nacional de Saúde, este projeto encontra-se alinhado aos
seguintes Eixos temáticos, constantes no Plano Nacional de Saúde (PNS), citado abaixo:
-Direito à Saúde, Garantia de Acesso e Atenção de Qualidade, tendo como diretriz:
- Ampliar e qualificar o acesso aos serviços de saúde de qualidade, em tempo adequado, com ênfase na humanização,
equidade e no atendimento das necessidades de saúde, aprimorando a política de atenção básica, especializada,
ambulatorial e hospitalar, e garantindo o acesso a medicamentos no âmbito do SUS;
- Ampliar a oferta de serviços e ações de modo a atender as necessidades de saúde, respeitando os princípios da
integralidade, humanização e justiça social e as diversidades ambientais, sociais e sanitárias das regiões, buscando
reduzir as mortes evitáveis e melhorando as condições de vida das pessoas.
Este projeto destina-se a desenvolver aportes técnicos a fim de possibilitar a incorporação de instrumentos testados e
aprovados durante a execução, bem como a estruturação de projetos regionais multiplicáveis e exequíveis à realidade
brasileira. Ele busca também, e principalmente, fortalecer uma estrutura de melhoria permanente em instituições de
saúde de todo o Brasil, considerando sua variedade cultural, com as seguintes estratégias: desenvolvimento de
ferramentas de apoio para implantação (pacotes de mudança), apoio técnico e educacional junto às instituições de
saúde (visitas técnicas, desenvolvimento de planos de ação, suporte contínuo, monitoramento, etc.), integração das
instituições de saúde quanto ao tema segurança (oficinas, etc.) e desenvolvimento de competências para realização de
projetos de melhoria e qualidade e segurança.
Tendo em vista os dados apresentados, os Hospitais de Excelência (HE) desenvolveram um projeto colaborativo que
tem como objetivo prioritário prover o suporte técnico para que as UTIs possam implementar práticas seguras para
prevenção de Infecção Primária de Corrente Sanguínea laboratorialmente confirmada (IPCSL) , PAV e ITU-AC em 120
hospitais.
Contribuições esperadas para o SUS
O projeto poderá contribuir em médio prazo para diminuição da incidência nos principais indicadores de infecção
hospitalar. Ainda, pretende disseminar o modelo de implantação de melhorias para outras unidades dos hospitais e
para outros hospitais. Além disso, o projeto pretende demonstrar impacto financeiro na redução de infecções.
A longo prazo, espera-se contribuir com mudança na cultura das organizações de saúde, principalmente quanto à
segurança do paciente e implantação de melhorias contínuas. - Status
- Prestação de Contas Final aprovada
- Trienio
- 2018-2020
- Area De Atuacao Principal Do Projeto
- Desenvolvimento de técnicas e operação de gestão em serviços de saúde
- Tema Principal
- Acesso, inovação e produção de medicamentos e tecnologias para a saúde
- Tema Secundario
- Vigilância em saúde
- Publico Alvo
- Usuários/Pacientes, Profissionais assistenciais médicos
- Projeto Colaborativo
- Sim
- Projeto Continuidade
- Novo Projeto
- Prazo De Execucao Do Projeto Em Meses
- 36
Valores Financeiros
- Valor Inicial Do Projeto Valor Inicial Do Projeto Aprovado E Publicado
- 6000000,0
- Valor Final Do Projeto Ultimo Valor Do Projeto Aprovado E Publicado
- 6000000,0
- Valor Aprovado
- 6000000,0
Local de Execução
- Abrangencia Territorial Do Projeto
- Nacional
Execução da Pesquisa
- Tipo De Estudo Da Pesquisa
- Melhorando a Segurança do Paciente em Larga Escala no Brasil
- Metodologia
-
Metodologias a serem utilizadas
Trata-se de um projeto em que equipes de 120 hospitais serão capacitadas para desenvolvimento de Ciclos de
Melhoria e Prevenção de IRAS (IPCSL, PAV e ITU-AC). Estas capacitações ocorrerão de maneira presencial e
à distância. Uma vez capacitados, os hospitais irão implantar melhorias de acordo com planos pré-estabelecidos pelo
projeto (Diagramas Direcionadores) e adaptá-los às suas necessidades. As melhorias implantadas serão
monitoradas por indicadores e por visitas técnicas dos HE a estas instituições.
A metodologia escolhida para condução do projeto é denominada de Modelo de Melhoria e tem sido utilizada com
sucesso em várias iniciativas pelo mundo. Nesta metodologia, a implantação da melhoria (que pode ser, por exemplo,
o uso de determinado procedimento) é realizada primeiramente em um grupo pequeno de pacientes e profissionais da
saúde, permitindo que o teste em pequena escala resulte em aprendizado e adaptações. Uma vez que o processo seja
considerado adequado à realidade local e tenha tido sucesso nos testes, procede-se para a implantação para o restante
da unidade progressivamente.
A capacitação dos hospitais e a implantação dos Ciclos de Melhoria é gradual em todo o projeto. Ou seja, logo após a
primeira capacitação, o hospital já está apto a iniciar pequenas ações. Isso fornece agilidade e ganho real desde o
início do projeto. Além disso, durante todo o projeto haverá sessões de compartilhamento de questões, experiências e
resultados obtidos.
Além da análise dos resultados assistenciais obtidos, o presente projeto também realizará o desenvolvimento de um
modelo para cálculo do custo ocasionado pela ocorrência de IRAs (Custo Incremental). Este modelo será aplicado
em alguns dos hospitais participantes e poderá ser aplicado pelo Ministério da Saúde em outros cenários que sejam
necessários.
Os 120 hospitais participantes do projeto estão distribuídos entre os Hospitais de Excelência.
Prestação de Contas
- Ano De Execucao
- 2018, 2019, 2020
- Evolucao Das Metas E Indicadores
-
Cronograma das Entregas, Atividades e Marcos
ENTREGA 1
QUALIFICAÇÃO DAS EQUIPES QUANTO AO USO DE FERRAMENTAS DE MELHORIA E IMPLANTAÇÃO DE PRÁTICAS DE PREVENÇÃO DE IRAS
Atividade 1.1 – Realização de Sessão de aprendizagem presencial (SAP)
Execução: FAtividade 1.2 – Realização de Sessão de aprendizagem virtual (SAV)
Execução: FAtividade 1.3 – Realização de Visitas técnicas
Execução: FAtividade 1.4 – Complementação do conhecimento técnico das equipes envolvidas e educação de usuários e familiares
Execução: FAtividade 1.5 – Monitoramento dos resultados
Execução: FAtividade 1.6 – Implantação da comunidade de prática
Execução: FAtividade 1.7 – Atividades de enfrentamento à COVID-19
Execução: FENTREGA 2
DESENVOLVIMENTO DE MODELO PARA CÁLCULO DE ANÁLISE DE CUSTO INCREMENTAL DAS IRAS
Atividade 2.1 – Desenvolvimento do modelo
Execução: FAtividade 2.2 – Validação do modelo
Execução: FAtividade 2.3 – Seleção dos Hospitais para aplicação do modelo
Execução: FAtividade 2.4 – Aplicação do modelo nos hospitais Selecionados
Execução: FAtividade 2.5 – Desenvolvimento e entrega de material de execução de análise financeira
Execução: FENTREGA 3
DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS
Atividade 3.1 – Elaboração do Modelo de Relatório Global
Execução: FAtividade 3.2 – Compilação dos dados pelos Hospitais de Excelência
Execução FAtividade 3.3 – Validação dos resultados pela Governança
Execução: FAtividade 3.4 – Divulgação dos resultados
Execução: FAtividade 3.5 – Monitoramento e avaliação de projeto
Execução: FLegenda:
C: Conforme prazo planejado
A: Atrasado
F: Finalizado
Outros Campos
- Extracao Do Sei
- FINALIZADA
- Extracao De Dados
- FINALIZADA
- Responsavel Pelo Preenchimento
- Matheus
- Link Do Arquivo Do Projeto
- https://drive.google.com/file/d/112P4uE581mTyw3P9-flTMghD_Q0M6dUK/view?usp=drive_link
- Valor Executadoevalor Utilizado
- 9074376.21
- Faixa Etaria Dos Participantes
- 0 a 5 anos, 6 a 11 anos, 12 a 17 anos, 18 a 29 anos, 30 a 59 anos, 60 anos ou mais
- Sexoedos Participantes
- Feminino, Masculino
- Raca Coredos Participantes
- Branca, Preta, Parda, Amarela, Indígena
- Equipe Da Pesquisa
- Cristiana Martins Prandini, Andrea K. Fujinami Gushken, Gizel Monteiro da Silva, Joslene Menezes Rodrigues, Bernardete Weber
- Execucao Equipamento Software Valor Executado
- 9074376.21
- Percentualede Execucao Financeira
- 1.5124
- Tipo S De Produto S Proposto S
- Pesquisa
- Regiao S Atendida S Pelo Projeto
- Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul
- Estado S Atendido S Pelo Projeto
- Acre (AC), Alagoas (AL), Amapá (AP), Amazonas (AM), Bahia (BA), Ceará (CE), Distrito Federal (DF), Espírito Santo (ES), Goiás (GO), Maranhão (MA), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Minas Gerais (MG), Pará (PA), Paraíba (PB), Paraná (PR), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Rondônia (RO), Roraima (RR), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP), Sergipe (SE), Tocantins (TO)
- Colecao Fonte
- proadi