PROADI-SUS

Ensaio clínico de Fase I/II com Células Natural Killer (NK) expandidas ex vivo para o tratamento de Leucemia Mielóide Aguda (LMA)

NUP: 25000.047257/2018-93 ID: 25000.047257/2018-93

Identificação

Id
25000.047257/2018-93
Nup
25000.047257/2018-93

Instituição

Instituicao Proponente
Einstein Hospital Israelita
Sigla
EHI

Projeto

Titulo Do Projeto
Ensaio clínico de Fase I/II com Células Natural Killer (NK) expandidas ex vivo para o tratamento de Leucemia Mielóide Aguda (LMA)
Objetivo Geral Do Projeto

Padronizar o isolamento e a expansão de células NK ex vivo de células NK provenientes
de sangue de cordão umbilical, expandidas com IL-21 que serão infundidas em pacientes com
LMA refratários e recidivados, LMA e SMD de alto risco após quimioterapia de reindução e
linfodepletiva com fludarabina, citarabina e G-CSF (FLAG) visando avaliar a dose máxima
tolerada, segurança, eficácia para tratamento e potencial cura dos pacientes. Caracterizar
essas células de acordo com a funcionalidade e citotoxicidade

Objetivos Especificos Do Projeto

Determinar a dose máxima tolerada, segurança, e viabilidade da infusão das células NK
proveniente de sangue de cordão umbilical expandidas junto a quimioterapia de
indução linfo-depletiva em pacientes com LMA refratária e recidivada, LMA e SMD de
alto risco, com redução de custos ao SUS visando o melhora tratamento e potencial
cura para as patologias citadas. A. Determinar a persistência das células NK expandidas transferidas de forma adotiva
B. Determinar a resposta global
C. Correlacionar o fenótipo, persistência e função da célula NK com resposta global. A. Padronizar e validar a expansão de células NK ex vivo;
B. Caracterizar as células NK avaliando a viabilidade celular, imunofenotipagem,
esterilidade (endotoxina) e cariótipo;
C. Caracterizar a funcionalidade (dosagem CD107a) e a citotoxicidade (dosagem de TNFα,
IFNγ, perforinas e granzima B) das células NK contra células alvo tumorais.

Justificativa E Aplicabilidade Do Projeto

A Leucemia Mielóide Aguda (LMA) é uma doença hematológica clonal agressiva, que
apresenta um bloqueio na diferenciação de células progenitoras hematopoiéticas e alteração
da regulação da proliferação celular (Frohling et al. 2005). De acordo com o Instituto Nacional
de Cancer (INCA), para 2018-2019 são estimados 5.940 casos novos de leucemia em homens e
4.861 em mulheres, correspondendo a um risco estimado de 5,75 casos novos para cada 100
mil homens e 4,56 casos novos para cada 100 mil mulheres (INCA, 2018).
A LMA,representa apenas 15-20% das leucemias agudas na infância, faixa etária em
que a leucemia linfoide aguda (LLA) é muito mais prevalente. Com o tratamento, cerca de 60-
80% dos jovens e 20-30% dos pacientes idosos com LMA atingem remissão hematológica.
Entretanto, 10% e 40% dos pacientes não conseguem atingir remissão completa (refratários)
ou são incapazes de manter a completa remissão (recidivados). Neste grupo de pacientes, a
chance de se atingir a taxa de remissão completa com tratamentos futuros é baixa, geralmente
inferior a 10% (Forman; Rowe, 2013; Dohner et al. 2017; Walter et al. 2015; Thol et al. 2015).
Apesar da disponibilidade de muitas técnicas para o diagnóstico diferencial e o
prognóstico da LMA, esta ainda é uma doença fatal na imensa maioria dos casos,
representando um investimento enorme e mal sucedido para o SUS. As taxas de remissão
completa (RC) com a quimioterapia de indução em pacientes idosos com LMA estão na faixa
de apenas 40 a 50% e as taxas de sobrevida, com mediana de 10 anos, são inferiores a 10%
(Vardiman et al. 2009). A sobrevida de pacientes com LMA diminui drasticamente com a idade,
com sobrevida relativa de 5 anos em 65,9% em pacientes com menos de 15 anos de idade,
49,9% em pacientes entre 15 e 39 anos de idade e 16,7% em idosos (Keegan et al,
2016; Siegel et al., 2015, Ho et al. 2017).
Assim, há uma grande necessidade de melhorar o tratamento em pacientes com LMA.
Embora tenha sido feito progresso ao longo das últimas décadas no campo da
imunologia tumoral, ainda precisamos de pesquisas sobre estratégias alternativas baseadas no
sistema imune e que possam mediar a regressão tumoral em modelos pré-clínicos e clínicos.
Atualmente, vários estudos têm demonstrado sucesso no desenvolvimento de novos
protocolos de tratamento com células Natural Killer (NK) para pacientes com LMA não
respondedores (Silla, 2016; Farhan et al. 2012; Lee et al. 2016; Dolstra et al. 2017).
Células NK são linfócitos do sistema imune inato, que tem a capacidade de lisar as
células alvo, além de fornecer citocinas imunorregulatórias. Foram primeiramente
identificadas pela habilidade em matar células tumorais e células infectadas por vírus sem sensibilização prévia. A principal função das células NK maduras é a atividade citotóxica,
ocorrendo pela exocitose de grânulos e indução de apoptose pela sinalização via membros da
família de receptores de morte celular do fator de necrose tumoral (do inglês, Tumoral
Necrosis Factor).
A citotoxicidade mediada por células NK é iniciada pela adesão à célula alvo que induz
alterações em sua morfologia com movimentação dos grânulos líticos em direção ao sitio de
interação com a célula alvo. Os princiapis conteúdos desses grânulos são moléculas de
perforina e granzima. O outro mecanismo de morte celular mediado por células NK é através
da ligação de receptores específicos presentes nas células alvo com ligantes na superfície das
células NK. Esses ligantes pertencem à superfamília do TNF e a sua ligação induz à apoptose da
célula alvo. Atualmente, são conhecidos dois subtipos distintos de células NK através de
diferenças na densidade de expressão de superfície de CD56. A maioria das células NK
humanas tem baixa expressão de CD56 e alta expressão de CD16, e são conhecidas como
células CD56dim. A outra subpopulação é caracterizada por alta expressão de CD56 e
expressão baixa ou negativa de CD16 e por isso é chamada de CD56bright. Essas duas
subpopulações também têm características funcionais distintas: a CD56dim é a mais citotóxica,
enquanto a CD56brigth é a maior responsável pela produção de citocinas imunorregulatórias,
incluindo TNF alta.(α) e beta (β), interferon gama (IFN-γ), fator estimulador de colônia de
granulócitos e macrófago (GM-CSF), interleucina (IL) 10 e 13.
Tendo em vista todo o potencial citotóxico das células NK, as possíveis implicações
terapêuticas destas células são cada vez mais reconhecidas. Testes clínicos evidenciam que as
células NK desempenham um papel no desfecho de pacientes submetidos ao transplante de
células-tronco hematopoiéticas e a transferência adotiva de células NK haploidênticas
humanas ativadas apresenta um papel potencial no tratamento da LMA (Shaffer et al. 2016;
Lee et al. 2016; Boyiadzis et al. 2017). As células NK fornecem uma alternativa atrativa para o
tratamento de neoplasias como LMA e estudos mostram que o sangue cordão umbilical é uma
fonte promissora para obtenção de células NK alogênicas que podem ser expandidas em
grande quantidade em doses altamente funcionais para a terapia em pacientes com LMA
refratários, além da possibilidade de se utilizar um produto rapidamente disponível
considerando a grande quantidade em bancos públicos no Brasil e no mundo (Kerbauy et al.
2017; Liu et al. 2017; Rezvani et al. 2017; Dolstra et al. 2017).
Neste contexto, nosso grupo visa padronizar o isolamento e expansão de células NK ex
vivo a partir de sangue de cordão umbilical, caracterizar essas células de acordo com a
funcionalidade e citotoxicidade e realizar um estudo de Fase I/II para determinar a segurança, eficácia, viabilidade e dose máxima tolerada em pacientes com LMA refratária e recidivada e
Síndrome Mielodisplásica (SMD) de alto risco.
A proposta ora em submissão visa o desenvolvimento de nova tecnologia para o
tratamento do câncer – no caso a LMA, que objetiva a médio/longo prazo o estabelecimento
de terapêutica inovadora para auxiliar o Transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH)

– procedimento de altíssima complexidade, sabidamente acompanhado de significativa morbi-
mortalidade, considerando 5% - 15% de taxa de sobrevida relativa em 5 anos (Alatrash et al.

2011). Nosso sistema público, não apenas financia os TCTH como também o tratamento para o
resto da vida de suas complicações. Atualmente, de acordo com a tabela SUS, o custo médio
de um TCTH não aparentado por paciente é em torno de R$ 120.000,00, não contabilizando
gastos com medicações de manutenção e eventual recidiva da doença. A expectativa é que,
com esta modalidade terapêutica, possamos minimizar os custos do SUS com o tratamento
bem sucedidos dos pacientes com LMA refratária ou SMD de alto risco.
A tecnologia para a Terapia Celular Adotiva (anti-cancer) propiciará aos pesquisadores
brasileiros a possibilidade de investigar esta modalidade terapêutica em inúmeros casos de
LMA. A médio/longo prazo, o desenvolvimento de terapias alternativas para o tratamento dos
pacientes com LMA representará um avanço, não apenas para o SUS, mas para a comunidade
científica e médica mundial, beneficiando e, possivelmente, curando a leucemia aguda mais
frequente no adulto, no Brasil e no mundo.

Status
Prestação de Contas Final aprovada
Trienio
2018-2020
Area De Atuacao Principal Do Projeto
Estudos de avaliação e incorporação de tecnologia
Tema Principal
Acesso, inovação e produção de medicamentos e tecnologias para a saúde
Tema Secundario
Vigilância em saúde
Publico Alvo
Usuários/Pacientes
Projeto Colaborativo
Sim
Projeto Continuidade
Continuidade
Prazo De Execucao Do Projeto Em Meses
36

Datas

Data Do Inicio Do Projeto Publicacao No Dou
2018-01-01T00:00:00Z
Data Do Fim Do Projeto
2020-12-31T00:00:00Z

Valores Financeiros

Valor Inicial Do Projeto Valor Inicial Do Projeto Aprovado E Publicado
2408971,47
Valor Final Do Projeto Ultimo Valor Do Projeto Aprovado E Publicado
2408971,47
Valor Aprovado
2408971,47

Local de Execução

Abrangencia Territorial Do Projeto
Nacional

Execução da Pesquisa

Tipo De Estudo Da Pesquisa
Estudo de terapia celular avançada, pré-clínico e clínico Fase I/II.
Metodologia
Isolamento e expansão ex vivo de células NK Caracterização fenotípica e funcional Ensaios pré-clínicos (citotoxicidade, esterilidade, cariótipo, segurança) Desenvolvimento do Produto de Terapia Avançada (PTA) Infusão em pacientes após quimioterapia de reindução Monitoramento clínico e laboratorial Avaliação de dose máxima tolerada, segurança e eficácia
Producao Cientifica
Protocolos técnicos validados Relatórios técnico-científicos Padronização de método de expansão NK Base para publicação científica (em elaboração)
Coordenador Da Pesquisa
Hospital Israelita Albert Einstein – Coordenação de Terapia Celular.

Prestação de Contas

Ano De Execucao
2020
Evolucao Das Metas E Indicadores

O projeto demonstra forte evolução técnica, com avanços na padronização, expansão, caracterização e testes de funcionalidade das células NK, tanto in vitro, quanto in vivo, além do desenvolvimento do Produto de Terapia Avançada (PTA) exigido pela ANVISA. O relatório técnico-científico descreve que a execução avançou com sucesso em:

Padronização do isolamento e expansão ex vivo das células NK

Caracterização fenotípica e funcional (imunofenotipagem, citotoxicidade, esterilidade, cariótipo)

Ensaios pré-clínicos obrigatórios para aprovação como PTA

Estudos com animais para validação de segurança, migração e persistência celular

Preparação para o estudo clínico Fase I/II

Essas entregas atendem às exigências regulatórias pós-2018 e representam evolução significativa do projeto.

Outros Campos

Extracao Do Sei
FINALIZADA
Extracao De Dados
FINALIZADA
Responsavel Pelo Preenchimento
Lavínia
Link Do Arquivo Do Projeto
https://drive.google.com/drive/folders/1QSR5ohN_rwHBEqk2rBw18hfProJkCNfd
Valor Executadoevalor Utilizado
2174629.9
Bens Adquiridos Ou Produzidos
Os documentos não listam bens físicos tradicionais (como mobiliário ou obras). Os “bens” produzidos são tecnológicos e científicos, incluindo: Protocolo de isolamento e expansão ex vivo padronizado Procedimentos validados de caracterização (citometria, viabilidade, esterilidade, funcionalidade) Base metodológica para ensaio clínico fase I/II Desenvolvimento do Produto de Terapia Avançada (PTA) para células NK
Equipamentos E Materiais Adquiridos
não há aquisição de equipamentos ou materiais permanentes
Faixa Etaria Dos Participantes
18 a 29 anos, 30 a 59 anos, 60 anos ou mais
Sexoedos Participantes
Feminino, Masculino
Equipe Da Pesquisa
Médicos hematologistas Pesquisadores de terapia celular Biomédicos Farmacêuticos Equipe de laboratório GMP
Servicos Medico Assistenciais Faixa Etaria Do Publico
18 a 29 anos, 30 a 59 anos, 60 anos ou mais
Servicos Medico Assistenciais Sexoedo Publico
Feminino, Masculino
Servicos Medico Assistenciais Raca Cor Do Publico
Branca, Preta, Parda, Amarela, Indígena
Servicos Medico Assistenciais Tipo De Atendimento
Atendimento assistencial exclusivamente para fins de terapia celular experimental.
Servicos Medico Assistenciais Compra De Equipamentos Permanentes
Não houve.
Servicos Medico Assistenciais Especialidades
Hematologia Hematologia Oncológica Terapia Celular Avançada Imunologia Transplante de Medula Óssea Pesquisa Clínica Fase I/II
Execucao Equipamento Software Descricao
Equipamentos de informática (apoio laboratorial) Insumos laboratoriais Nenhum equipamento médico permanente adquirido
Execucao Equipamento Software Detalhamento
Equipamento destinado ao processamento de dados e suporte metodológico da expansão NK.
Execucao Equipamento Software Valor
29961.0
Execucao Equipamento Software Valor Executado
2174629.9
Percentualede Execucao Financeira
0.9028
Tipo S De Produto S Proposto S
Capacitação (cursos), Serviços médico-assistenciais, Pesquisa
Regiao S Atendida S Pelo Projeto
Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul
Estado S Atendido S Pelo Projeto
Acre (AC), Alagoas (AL), Amapá (AP), Amazonas (AM), Bahia (BA), Ceará (CE), Distrito Federal (DF), Espírito Santo (ES), Goiás (GO), Maranhão (MA), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Minas Gerais (MG), Pará (PA), Paraíba (PB), Paraná (PR), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio de Janeiro (RJ), Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Rondônia (RO), Roraima (RR), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP), Sergipe (SE), Tocantins (TO)
Servicos Medico Assistenciais No De Pacientes Atendidos So Numeros
20.0
Servicos Medico Assistenciais Coordenador A
Hospital Israelita Albert Einstein – Divisão de Terapia Celular.
Execucao Equipamento Software Quantidade So Numeros
1.0
Colecao Fonte
proadi