Recomeçar RS: Promovendo a Saúde Mental em Comunidades Atingidas por Enchentes.
Identificação
- Id
- 25000.131535/2024-38
- Nup
- 25000.131535/2024-38
Instituição
- Instituicao Proponente
- Associação Hospitalar Moinhos de Vento
- Sigla
- AHMV
Projeto
- Titulo Do Projeto
- Recomeçar RS: Promovendo a Saúde Mental em Comunidades Atingidas por Enchentes.
- Objetivo Geral Do Projeto
- Fornecer um programa de apoio em saúde mental para indivíduos acometidos pelas enchentes ocorridas em maio de 2024 na cidade de Porto Alegre e região metropolitana que estão ou em algum momento estiveram desalojados em decorrência das enchentes.
- Objetivos Especificos Do Projeto
-
1. Realizar o rastreamento de saúde mental de indivíduos afetados pela enchente de
maio de 2024, com base em sintomas de ansiedade, depressão e transtorno de
estresse pós traumático através de ferramentas estruturadas e validadas;
2. Fornecer orientações de promoção à saúde mental para a população rastreada
através de aconselhamento e distribuição de material informativo;
3. Fornecer um programa de apoio em saúde mental para a população de indivíduos
afetados pelas enchentes, que apresentem sintomas de ansiedade, depressão ou
estresse pós-traumático;
4. Fornecer atendimento especializado e individual com psicólogos e/ou psiquiatras
conforme avaliação de necessidade;
5. Disponibilizar curso na modalidade de ensino à distância de capacitação de
profissionais da saúde para suporte emergencial de saúde mental em desastres;
6. Avaliar a frequência de sintomas de ansiedade, depressão e estresse
pós-traumático em indivíduos afetados pela enchente, bem como suas trajetórias
de recuperação por 6 meses;
7. Descrever os determinantes sociais em saúde da população de indivíduos afetados
pela enchente de maio de 2024,(condições socioeconômicas, ambiente físico, rede
de apoio social, estilos de vida e comportamentos, uso de substâncias psicoativas,
acesso a serviços de saúde, fatores psicossociais e determinantes biológicos) por 6
meses. - Justificativa E Aplicabilidade Do Projeto
-
As enchentes no estado do Rio Grande do Sul no mês de maio de 2024 afetaram mais de 2,3
milhões de pessoas, registrando mais de 580 mil pessoas desalojadas, sendo que mais de 70 mil
destas foram alocadas em abrigos e mais de 183 mortos foram identificados. Foram 478 cidades
prejudicadas, representando um acometimento de mais de 90% do estado. Estes dados
evidenciam altas perdas de bens materiais e prejuízos financeiros como diminuição ou perda da
renda, perda de emprego e gastos emergenciais para restabelecimento de bens móveis, imóveis,
serviços, instituições públicas e privadas. Apenas na cidade de Porto Alegre, mais de 150 abrigos
foram criados para acomodar indivíduos acometidos pela enchente que buscavam alimentação,
assistência em saúde e segurança
1,2
. Estima-se que mais de 19 bilhões de reais serão
necessários para reconstruir apenas a infraestrutura das cidades acometidas, sem mencionar as
perdas econômicas pessoais e de empresas³.
A saúde mental das pessoas acometidas pelas enchentes pode sofrer grande impacto,
considerando as mudanças que uma catástrofe ambiental pode causar. Embora as pessoas
acometidas por desastres possam recuperar-se com apoio de amigos e familiares, muitas
desenvolvem danos profundos e duradouros em sua saúde mental, demandando tratamento
especializado. Além da exacerbação de transtornos crônicos como ansiedade e depressão, alguns indivíduos podem desenvolver TEPT. Os sintomas de ansiedade geralmente incluem
preocupação excessiva, irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, tensão muscular, inquietação
e até mesmo ataques de pânico
4
. Os sintomas de depressão podem manifestar-se como
sentimentos persistentes de tristeza, perda de interesse em atividades que costumavam ser
apreciadas, alterações no sono e apetite, fadiga, sentimentos de desesperança e até mesmo
pensamentos suicidas
4
. Já os sintomas de TEPT incluem reativação do evento traumático através
de flashbacks e pesadelos, evitação, hiperatividade, hipervigilância e alterações de humor. Em
situações de desastre natural como enchentes, esses sintomas podem ser exacerbados devido ao
estresse adicional e à sensação de perda e desamparo. A incerteza em relação ao futuro, o
trauma de perder propriedades ou entes queridos, e a pressão financeira resultante do desastre
podem aumentar significativamente o risco de desenvolver ou agravar esses problemas de saúde
mental. Além disso, o impacto na qualidade de vida pode ser significativo, com a interrupção das
rotinas diárias, dificuldade de acesso a serviços básicos e agravamento das condições de vida, o
que pode levar a um ciclo repetitivo de estresse. Esses fatores podem desencadear ou piorar
problemas de saúde mental, requerendo atenção especializada e apoio psicológico para a
recuperação completa
5
. Já a prevalência de TEPT pode variar de acordo com a intensidade do
trauma sofrido. Estudo prévio entre sobreviventes de inundação demonstra que a prevalência de
TEPT varia de 24-39%, podendo persistir em 15% da população 10 anos após o evento
estressor
6,7
. Análises de determinantes de TEPT identificaram que este possui maior probabilidade
de ocorrer entre pessoas desempregadas, de baixo nível escolar, com história de doença mental,
com baixo acesso a serviços de saúde e com maior dano ao patrimônio. Além disso, evidências
sugerem que indivíduos que desenvolvem TEPT ativam sistemas adrenérgicos, disfunção do eixo
hipotálamo-hipófise-adrenal, aumentam marcadores inflamatórios levando ao aumento do risco
cardiovascular
6,7
. Por fim, indivíduos de menor renda apresentam maior chance de desenvolver
estresse pós-traumático
6,7
, justamente a população mais afetada nas enchentes do Rio Grande do
Sul.
Diante dos dados expostos, é provável que exista uma demanda no Sistema Único de Saúde por
serviços de apoio à saúde mental e doenças decorrentes do seu agravo de indivíduos afetados
pelas enchentes ocorridas em maio de 2024 no Rio Grande do Sul. Nesta conjuntura iminente, é
fundamental a realização de programas de apoio à saúde mental desta população, possibilitando,
assim, o correto direcionamento de políticas e esforços a esta temática.a) O projeto possui desafio(s) pertinente(s) ao desenvolvimento do SUS:
A recente catástrofe no Rio Grande do Sul trouxe à tona uma série de desafios significativos,
afetando milhares de pessoas e comunidades inteiras, nas quais os dados supracitados revelam a extensão do impacto. A atuação de serviços de saúde com intuito de mitigar estes danos na
saúde mental é fundamental para o restabelecimento do funcionamento integral como indivíduos.
Contudo, devido à extensão dos danos ocorridos, o sistema público de saúde poderá não alcançar
todos aqueles que se beneficiariam. A isto, soma-se inúmeras unidades básicas de saúde
destruídas pelas enchentes, justamente dentro das comunidades afetadas. Diante destes
números alarmantes, é imprescindível que sejam consideradas as prováveis consequências que
essas pessoas e comunidades enfrentarão, principalmente no âmbito da saúde mental, sendo
fundamental o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento baseadas em evidências para a
identificação de problemas e estabelecimento de metas tangíveis para lidar com fatores que
possam interferir na recuperação pós-catástrofe.
b) Quais os benefícios aos SUS:
O projeto é uma iniciativa que visa não apenas mitigar os impactos psicológicos a curto e longo
prazo das enchentes na população afetada, mas também trazer benefícios significativos para o
Sistema Único de Saúde (SUS). Ao fornecer um programa abrangente de cuidados com a saúde
mental associado a geração de evidências, os benefícios esperados serão:
1. Rastreamento e aconselhamento de saúde mental para aproximadamente 10 mil pessoas. O
programa permitirá a identificação dos indivíduos em risco de desenvolver problemas de saúde
mental devido às enchentes (ou desastres). Isso permitirá uma intervenção direcionada, evitando
o agravamento dos sintomas e reduzindo a demanda por serviços de saúde em curto e longo
prazo.
2. Oferta de um programa de apoio em saúde mental em indivíduos que forem detectados com
sintomas de ansiedade, depressão ou estresse pós-traumático: O programa possibilitará o
desenvolvimento de estratégias que poderão contribuir no fortalecimento para o enfrentamento e
resiliência coletiva diante de do estado atual e futuras adversidades nesta população, gerando
impacto na melhora da saúde mental, reduzindo a procura por serviços de saúde e retorno mais
breve às atividades educacionais e laborais destes indivíduos.
3. Consultas especializadas para aqueles que, no decorrer das intervenções, apresentarem
sintomas de transtornos graves de saúde mental: Ao disponibilizar programa de saúde mental e
consultas especializadas para os casos identificados com transtornos psiquiátricos graves, o
projeto proporcionará um tratamento eficaz para aqueles que mais necessitam. Isso não só
promoverá a recuperação dos indivíduos afetados, mas também reduzirá a sobrecarga nos
serviços de saúde, evitando internações hospitalares desnecessárias e consultas de emergência. 4. Capacitação de aproximadamente 2.000 profissionais de saúde para lidar com populações
gerais acometidas: O projeto inclui um componente importante de capacitação de profissionais de
saúde, preparando-os para lidar com os desafios específicos associados aos impactos
psicológicos das enchentes e outros eventos de grande impacto. Essa capacitação não apenas
melhorará a qualidade do atendimento prestado aos indivíduos afetados pela catástrofe atual, mas
também deixará um legado duradouro, capacitando os profissionais de todo país para lidar com
eventos futuros em território brasileiro.
5. Dados que poderão subsidiar políticas públicas de atenção à saúde mental em contextos de
catástrofes: Os dados coletados durante o programa de cuidados com a saúde mental e no
acompanhamento em longo prazo serão uma fonte valiosa de informações para subsidiar políticas
públicas de saúde mental em situações de catástrofes. Essas informações permitirão ao SUS
entender melhor as necessidades da população afetada e planejar intervenções mais eficazes em
situações semelhantes no futuro.
Em resumo, o presente projeto não só beneficiará diretamente os indivíduos afetados pelas
enchentes, mas também fortalecerá a capacidade do SUS de lidar com desastres e promover a
saúde mental da população em momentos de adversidade. Esses benefícios são essenciais para
garantir uma resposta eficaz e compassiva às crises e para construir uma base sólida para o
sistema de saúde brasileiro. - Status
- Em execução
- Trienio
- 2024-2026
- Area De Atuacao Principal Do Projeto
- Desenvolvimento de técnicas e operação de gestão em serviços de saúde
- Tema Principal
- Acesso, Inovação e Produção de Medicamentos e Tecnologias para a Saúde
- Tema Secundario
- Formação em saúde
- Publico Alvo
- Profissionais assistenciais médicos, Profissionais assistenciais não-médicos, Agentes comunitários
- Projeto Colaborativo
- Não
- Projeto Continuidade
- Novo Projeto
- Prazo De Execucao Do Projeto Em Meses
- 22
Valores Financeiros
- Valor Inicial Do Projeto Valor Inicial Do Projeto Aprovado E Publicado
- 11342870,16
- Valor Final Do Projeto Ultimo Valor Do Projeto Aprovado E Publicado
- 11342870,16
Capacitação
- Palestra Tema Titulo
- Recomeçar RS: Promovendo a Saúde Mental em Comunidades Atingidas por Enchentes
- Palestra Modalidade
- Híbrido
Outros Campos
- Extracao Do Sei
- FINALIZADA
- Extracao De Dados
- FINALIZADA
- Responsavel Pelo Preenchimento
- Matheus
- Link Do Arquivo Do Projeto
- https://drive.google.com/file/d/1K8vYYXf2fE8A2CGgPFCjAV6rREMGGzEv/view?usp=drive_link
- Palestra Faixa Etaria Dos Participantes
- 18 a 29 anos, 30 a 59 anos, 60 anos ou mais
- Palestra Sexo Dos Participantes
- Feminino, Masculino
- Palestra Raca Cor Dos Participantes
- Branca, Preta, Parda, Amarela, Indígena
- Palestra Tipo De Profissionais Capacitados
- Médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, entre outros
- Tipo S De Produto S Proposto S
- Capacitação (cursos)
- Palestra Numero De Pessoas Capacitadas So E Permitido Numero
- 2000.0
- Colecao Fonte
- proadi