Estudo de prevalência de HTLV e outras IST e padrões de comportamento sexual em parturientes e população geral
Identificação
- Id
- 25000.206701/2018-19
- Nup
- 25000.206701/2018-19
Instituição
- Instituicao Proponente
- Associação Hospitalar Moinhos de Vento
- Sigla
- AHMV
Projeto
- Titulo Do Projeto
- Estudo de prevalência de HTLV e outras IST e padrões de comportamento sexual em parturientes e população geral
- Objetivo Geral Do Projeto
- Investigar a prevalência e fatores associados à infecção por HTLV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), como HIV, sífilis e hepatites virais em parturientes no Brasil, bem como avaliar os padrões de comportamento determinantes da presença de infecção.
- Objetivos Especificos Do Projeto
-
Avaliar a prevalência de HTLV (1 e 2), HIV, sífilis e hepatites virais em parturientes no Brasil e nas diferentes regiões;
Avaliar a incidência de HIV, sífilis e hepatites virais em parturientes no Brasil e regiões;
Identificar padrões comportamentais e fatores associados à presença de HTLV, sífilis, HIV e hepatites virais nestas parturientes;
Avaliar indicadores referentes ao conhecimento, às atitudes e às práticas da população relacionados à IST, HIV/aids, sífilis e hepatites virais, com confirmação diagnóstica.
Fortalecer o monitoramento de determinantes de vulnerabilidades à infecção por HIV, sífilis, hepatites virais e outras IST. - Justificativa E Aplicabilidade Do Projeto
-
Em 2015, as Nações Unidas consideraram a saúde sexual e reprodutiva como sendo elemento chave para o desenvolvimento, incluindo o tema dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Entre os conceitos chaves estão a atenção pré-natal e obstetrícia, a prevenção e o cuidado de infecções sexualmente transmissíveis (IST) e a promoção do sexo seguro.¹ A Organização Mundial da Saúde estima que mais de um milhão de pessoas adquiram novas IST diariamente, sendo algumas curáveis, como a sífilis e hepatite C, e outras incuráveis, como o HIV, hepatite B e o vírus da leucemia humana de células T (HTLV). O manejo destas infecções deve ser feito de forma ampla para facilitar o diagnóstico e controle das infecções uma vez que a existência de uma infecção pode facilitar o surgimento de outras ISTs.
Entre as doenças que tem emergido como um grave problema de saúde, com repercussões a curto e longo prazo, estão a sífilis e o HTLV. O HTLV-1 é um vírus linfotrópico de células T que utiliza uma estratégia de replicação capaz de persistir no hospedeiro infectado e, consequentemente, permite a sua transmissão também pela via vertical apresentando seis subtipos. Estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas estejam infectadas pelo vírus no planeta.² As principais formas de transmissão são a transmissão vertical e amamentação, relações sexuais desprotegidas, transfusão de sangue ou derivados infectados, e compartilhamento de seringas.³
Além de estar associado ao desenvolvimento de leucemia de células-T, agravo de grande magnitude, outras síndromes e doenças têm sido associadas ao vírus, como paraparesia espástica tropical/mielopatia, uveíte, dermatite infecciosa, ceratite infecciosa, depressão e doenças reumatológicas (polimiosite, tireoidite e fibromialgia)⁴⁻⁷. Este amplo número de doenças indicam o envolvimento multissistêmico do vírus.
O HTLV-1 tem uma distribuição global, com algumas áreas de alta endemia próximas às áreas onde o vírus é praticamente inexistente. Apesar de ter sido um dos primeiros retrovírus humanos identificados, pouco se sabe sobre a sua distribuição. Estratégias efetivas para o seu controle ainda não foram implementadas. As principais áreas de endemias identificadas até o momento são: sudoeste do Japão, África Subsaariana e América Latina. No Brasil, diferentes prevalências são encontradas na população de pessoas infectadas com o vírus de acordo com o grupo populacional estudado, variando de 0,4% a 1,05% em gestantes, de 0,3% a 1,8% na população adulta, 1,35% em Salvador⁸⁻¹⁰, e 4,68% em populações indígenas japonesas.¹¹
Cerca de 2-4% dos indivíduos infectados irão desenvolver leucemia de células-T¹² e de 0,1% a 2% irão desenvolver mielopatia associada ao HTLV, uma mielopatia progressiva grave¹³. No entanto, aproximadamente 90% dos infectados por HTLV permanecerão assintomáticos ao longo de sua vida¹⁴, mantendo uma rede de transmissão silenciosa via sexual, sanguínea e vertical¹⁵.
Até o momento, não existe vacinação contra o HTLV e este agravo não está na lista de notificação compulsória nacional. O manejo é limitado, sendo similar ao tratamento de HIV em manifestações neurológicas, exceção do uso de AZT para linfoma/leucemia, com o objetivo de prover a supressão das lesões associadas ao vírus, na maioria das vezes com pouca melhora da qualidade de vida, ainda com a necessidade de associação de suporte fisioterápico e psicológico.¹⁶ Diante desse fato, é importante entender a cadeia de transmissão e determinar a associação da presença das IST para que se possa implementar estratégias de controle no país.
Paralelamente, apesar de o agente etiológico da sífilis, do HIV e da hepatite B terem sido descobertos há muito tempo, e de existirem métodos de diagnóstico e tratamento, estas ainda persistem como importantes problemas de saúde pública.
O HIV também preocupa os gestores de saúde. A taxa de detecção de gestantes com HIV no Brasil vem apresentando uma pequena tendência de aumento nos últimos anos¹⁷. Apesar dos avanços no processo de detecção do HIV durante a gestação, ainda existem falhas que merecem ser investigadas para controle deste aumento. A ausência ou início tardio do acompanhamento pré-natal, bem como o atendimento pré-natal inadequado, podem ser algumas das causas relacionadas. Em 2003, dados de 228 maternidades brasileiras mostraram que apenas 58,6% das mulheres iniciaram pré-natal no primeiro trimestre da gestação, e menos de 40% das gestantes realizaram seis ou mais consultas¹⁸,¹⁹. Avaliar a atual prevalência da infecção pelo vírus durante a gestação, em âmbito nacional, nas diferentes dimensões sociais e culturais, se faz necessário tendo em vista que o tratamento com terapia antirretroviral é de oferta universal no país. A detecção precoce do vírus durante o pré-natal representa uma oportunidade de intervenção na gestante infectada, reduzindo a taxa de transmissão materno infantil.
Assim como o HTLV e o HIV, a sífilis demanda atenção especial dos gestores, tendo sido considerada epidêmica em 2016¹⁹. As taxas de sífilis congênita tiveram um aumento substancial nos últimos anos, representando um crescimento de 14,7% entre 2015 e 2017, apesar de a maioria das mulheres terem assistência pré-natal²⁰. Nos últimos dez anos, a taxa de mortalidade infantil por sífilis congênita passou de 2,3 para 6,7/100 mil nascidos vivos no país²¹. Para cessar dos mecanismos de vigilância, prevenção e controle da doença, visando a tomada de decisão em um país com um sistema de atenção à saúde complexo, com amplas desigualdades e diferentes condições demográficas, econômicas, sociais, culturais e de saúde, tal estudo torna-se ainda mais relevante.
Estudos epidemiológicos mostram que a maioria dos brasileiros sabe que o preservativo é a melhor forma de prevenção de IST, entretanto, ainda assim, 45% da população sexualmente ativa referiu não utilizar preservativo nas relações sexuais eventuais²². Entre os vírus, os vírus do HIV e HTLV compartilham rotas comuns de transmissão, e tropismo celular, sendo a coinfecção HIV-HTLV frequentemente reportada²³,²⁴. Entender o comportamento sexual de risco associado à presença destes vírus passa a ser absolutamente necessário para que possamos entender a dinâmica de transmissão dos vírus, identificando a necessidade de implementação de estratégias para a contenção de ambos.
Outro importante tema na avaliação sindrômica das IST são as hepatites virais. As hepatites continuam sendo um enorme desafio à saúde pública, sendo responsáveis por cerca de 1,4 milhões de óbitos anualmente em todo o mundo²⁵. Cerca de 2 bilhões de pessoas já foram infectadas pelo vírus da hepatite B (HBV) e mais de 350 milhões apresentam a forma crônica da doença. As principais rotas de transmissão do vírus são perinatal e horizontal na primeira infância, podendo também ocorrer em adolescentes e adultos em diferentes regiões do país, sendo pela notificação compulsória em gestantes de hepatite B e C, estimada em 6,42% ocorrer por transmissão vertical²⁶.
As hepatites virais são endêmicas no Brasil sobre a prevalência da hepatite B e C em gestantes²⁷,²⁸. A investigação da hepatite B faz parte do rol de exames do pré-natal, visando a prevenção da transmissão vertical. Contudo, embora a investigação da hepatite C não faça parte da rotina de pré-natal, a transmissão vertical pode ocorrer, o que justifica a importância deste estudo²⁹.
O controle e monitoramento das IST deve ser feito de forma ampliada, uma vez que elas compartilham fatores sociais e comportamentais, além da via de transmissão. Os estudos feitos no Brasil até o momento, avaliando a infecção por HTLV, não apresentam cobertura nacional, impossibilitando o planejamento de estratégias de enfrentamento da doença, especialmente no que se refere a transmissão vertical. Prevalências muito discrepantes foram encontradas, conforme o estado, sendo necessária uma avaliação do Brasil como um todo ou, ao menos, que tenha representatividade em nível macrorregional. Adicionalmente, o monitoramento da infecção por sífilis, HIV e hepatites virais em gestantes é fundamental para o direcionamento das estratégias de prevenção, vigilância e controle. - Status
- Prestação de Contas Final aprovada
- Trienio
- 2018-2020
- Area De Atuacao Principal Do Projeto
- Pesquisas de interesse público em saúde
- Tema Principal
- Acesso, inovação e produção de medicamentos e tecnologias para a saúde
- Tema Secundario
- Vigilância em saúde
- Publico Alvo
- Usuários/Pacientes
- Projeto Colaborativo
- Sim
- Projeto Continuidade
- Novo Projeto
- Prazo De Execucao Do Projeto Em Meses
- 36
Datas
- Data Do Inicio Do Projeto Publicacao No Dou
- 2018-01-01T00:00:00Z
- Data Do Fim Do Projeto
- 2020-12-31T00:00:00Z
Valores Financeiros
- Valor Inicial Do Projeto Valor Inicial Do Projeto Aprovado E Publicado
- 17440929,22
- Valor Final Do Projeto Ultimo Valor Do Projeto Aprovado E Publicado
- 12497676,88
- Valor Aprovado
- 12497676,88
Local de Execução
- Abrangencia Territorial Do Projeto
- Nacional
Execução da Pesquisa
- Tipo De Estudo Da Pesquisa
- Artigos científicos publicados
- Metodologia
-
Methods: This review included cohort and cross-sectional studies that assessed the presence of either HTLV-1 or -2 infection in pregnant women in Brazil. We searched BVS/LILACS, the Cochrane Library/CENTRAL, EMBASE, PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science and gray literature from inception to August 2020. Diagnoses from single screening tests were analyzed separately from those confirmed with two different tests. Prevalences were pooled using random effects models with the inverse variance method.
Tradução:
Métodos: Esta revisão incluiu estudos de coorte e transversais que avaliaram a presença de infecção por HTLV-1 ou -2 em mulheres grávidas no Brasil. Foram realizadas buscas nas bases BVS/LILACS, Cochrane Library/CENTRAL, EMBASE, PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e literatura cinzenta desde a sua criação até agosto de 2020. Diagnósticos baseados em testes de triagem únicos foram analisados separadamente daqueles confirmados com dois testes diferentes. As prevalências foram agrupadas utilizando modelos de efeitos aleatórios com o método da variância inversa. - Producao Cientifica
- “Prevalence of human T-lymphotropic virus (HTLV) infection in pregnant women in Brazil: a systematic review and meta-analysis” para publicação na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, em 19 de outubro de 2020.
Prestação de Contas
- Ano De Execucao
- 2020
- Evolucao Das Metas E Indicadores
-
Cronograma das Entregas, Atividades e Marcos
ENTREGA 1 – DESENVOLVIMENTO DE MATERIAIS DO ESTUDO
Atividade 1.1 – Revisão da literatura
Execução: Finalizada
Atividade 1.2 – Desenvolvimento e submissão do protocolo do estudo aos CEPs de referência
Execução: Finalizada
Atividade 1.3 – Elaboração de Manual Operacional e materiais de apoio
Execução: Finalizada
Atividade 1.4 – Apresentação do protocolo de pesquisa ao Ministério da Saúde
Execução: Finalizada
ENTREGA 2 – SELEÇÃO DOS CENTROS PARTICIPANTES
Atividade 2.1 – Definição dos centros participantes
Execução: Finalizada
Atividade 2.2 – Seleção dos centros participantes
Execução: Finalizada
Atividade 2.3 – Submissão do Protocolo aos Comitês de Ética
Execução: Finalizada
Atividade 2.4 – Estabelecimento de parcerias
Execução: Finalizada
ENTREGA 3 – REALIZAÇÃO DO ESTUDO PILOTO
Atividade 3.1 – Treinamento do estudo piloto
Execução: Atrasada
Atividade 3.2 – Recrutamento e coleta de dados
Execução: Atrasada
Atividade 3.3 – Readequação dos materiais do estudo
Execução: Atrasada
ENTREGA 4 – TREINAMENTO DOS CENTROS PARTICIPANTES
Atividade 4.1 – Treinamento dos centros de coleta
Execução: Atrasada
ENTREGA 5 – COLETA DE DADOS
Atividade 5.1 – Coleta de dados
Execução: Atrasada
Atividade 5.2 – Monitoria dos Centros
Execução: Atrasada
ENTREGA 6 – ANÁLISE DE DADOS
Atividade 6.1 – Auditoria concomitante dos dados
Execução: Atrasada
Atividade 6.2 – Análise dos dados
Execução: Atrasada
Atividade 6.3 – Redação dos resultados
Execução: Atrasada
Atividade 6.4 – Apresentação ao Ministério da Saúde
Execução: Atrasada
ENTREGA 7 – DIVULGAÇÃO DO PROJETO
Atividade 7.1 – Redação de artigos para publicação
Execução: Atrasada
ENTREGA 8 – ESTUDOS COVID
Atividade 8.1 – Testagem de amostras para COVID-19
Execução: Finalizada
Atividade 8.2 – Vigilância epidemiológica do SARS-CoV-2 através de filogenia viral
Execução: Finalizada
Atividade 8.3 – Avaliação de características e sintomas associados à testagem positiva para COVID-19
Execução: Finalizada
Atividade 8.4 – Redação de relatório
Execução: Finalizada
Outros Campos
- Extracao Do Sei
- FINALIZADA
- Extracao De Dados
- FINALIZADA
- Responsavel Pelo Preenchimento
- Suleima
- Link Do Arquivo Do Projeto
- https://drive.google.com/file/d/1A9HQgIOWNzXvBzbhfgoEb1kqoxz5bz9b/view?usp=sharing
- Valor Executadoevalor Utilizado
- 13430364.07
- Execucao Equipamento Software Valor Executado
- 13430364.07
- Percentualede Execucao Financeira
- 1.0746
- Tipo S De Produto S Proposto S
- Pesquisa
- Regiao S Atendida S Pelo Projeto
- Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul
- Estado S Atendido S Pelo Projeto
- Acre (AC), Alagoas (AL), Amapá (AP), Amazonas (AM), Bahia (BA), Ceará (CE), Espírito Santo (ES), Goiás (GO), Maranhão (MA), Distrito Federal (DF), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS), Minas Gerais (MG), Pará (PA), Paraíba (PB), Paraná (PR), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio de Janeiro (RJ), Rondônia (RO), Roraima (RR), Santa Catarina (SC), São Paulo (SP), Sergipe (SE), Tocantins (TO), Rio Grande do Norte (RN)
- Colecao Fonte
- proadi